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sábado, dezembro 31, 2005

Os Desígnios da Arte Contemporânea

Esta foi uma das várias imagens usadas numa campanha artística, organizada com o intuito de celebrar os 60 anos de República da Aústria e os 10 anos de inclusão na UE.

Perante esta situação sou levada a interrogar-me - como me vai acontecendo com regularidade, por defeito profissional - se o artista [contemporâneo] se poderá imiscuir-se desta forma com a política; se poderemos chamar Arte a algum objecto artístico com uma mensagem politica tão forte; se estas criações não são mais do que propaganda artística.

Obviamente que o artista não pode deixar de ter uma mensagem politica [mesmo que de forma latente], no sentido que a arte que cria é a sua perspectiva do mundo, o modo como hierarquiza os valores morais, o seu entendimento e visão da sociedade, e porque um artista é um ser humano, e não uma máquina, portanto é naturalmente um ser politico. Agora o perigo instala-se quando o objectivo da criação é meramente politico... aí o valor artístico e estético da obra fica necessariamente comprometido e muitas vezes reduzido a propaganda.

Pessoalmente agradam-me – quase sempre – as intervenções pós-modernistas. Elas não deixam de ser uma forte reflexão sobre o passado, sobre determinados cânones, uma reconstrução de valores, muitas vezes um pastiche iconográfico que me perturba. No entanto, no caso em questão, devo confessar que fico muito mais atormentada perante o original...

nota 1- Agradecimentos: ao meu grande amigo Rui Marques pela dica de pesquisa , estes nossos encontros espotâneos entre a Rua Garret em Lisboa e a brasileira de Braga têm de se repetir algures no eixo Campo de Ourique - Santos; ao meu irmão que graças aos seus fluentes conhecimentos de alemão, fez em 5 min. aquilo que eu achava que demoraria horas

nota 2: comentaram comigo que estes agradecimentos estão muito a la Tiago Mendes, so what, os agradecimentos têm de ser feitos...

sexta-feira, dezembro 30, 2005

Balanços 2005

Não gosto de balanços ou de best of do ano, fazem-me muita confusão, não os compreendo. A memória é um sítio espacial e temporalmente descontínuo, por isso não me parece lógico querer compartimentá-la em classificações artificiais e falsas de tempo e espaço.

Nesse aspecto não poderia estar mais de acordo com o Adolfo, que de uma forma quase pueril afirma: Faz algum sentido dividir o melhor beijo da nossa vida em dois, apenas porque entretanto terminaram os últimos minutos do que se convencionou chamar de Dezembro?
Mas quem diz um beijo, diz um filme, um livro, uma conversa, um acontecimento...

Mas pronto, vou ceder à convenção e anunciar a minha compra do ano [futilidades no feminino!]:

Um casaco maravilhoso, muito Jackie O, com um estampado ao estilo papel de parede anos 70!

quinta-feira, dezembro 29, 2005

Sete cabeças pensam melhor que cinco

Os aumentos salariais quedam-se pelos 1,5%, abaixo dos 2,3% de inflação previstos para 2006. O desemprego está no limiar dos 6%. Temos um barco encalhado ao largo dos Açores. Mas pensemos que nem tudo vai mal, e que tudo pode melhorar. Pelo menos são estes os sinais que a PT nos dá.

A acreditar na notícia ontem dada pelo DN, de que o conselho de administração da PT vai aumentar de 5 para 7 pessoas, acreditamos que afinal o país vai bem. Pelo menos fica a ideia de que os dois novos conselheiros não são dois boys do governo, mas sim independentes. Um deles até apoia Cavaco para Belém. O outro teve uma carreira brilhante no estrangeiro.

Mas que será que eles vão alterar no conselho? Não teria sido melhor substituir dois dos actuais detentores do cargo para colocar estes dois, evitando assim o agravamento das despesas do maior accionário da PT? Bem, talvez a PT tenha seguido o velho ditado português, e sete cabeças pensem melhor que duas.

Futilidades e Tontices [no feminino]

Encontrei este teste aqui , e claro não consegui resistir...



How evil are you?

Um Blogue...

é um Blogue, e cada um manda no seu.
Os blogues de "gajas" são fúteis, tontos, so what!?
Não poderia estar mais de acordo com Miss Pearls!

Sobre as presidenciais

A ler um excelente post do RAF, sobre o riscos que as próximas eleições podem ser para o regime.

Citações XC

(...) o pensamento cristão, uma das mais antigas e consolidadas tradições europeias de reflexão, que, desde, Tomás de Aquino até Karl Jaspers, mantém uma relação muito forte com a história cultural da Europa, aparentemente enfraquecida pelos últimos anos de "descrença" e pelas ideologias assentes na fé na história do século XIX e XX.
(...) a sensação de perigosidade do mundo "lá fora" criou um ambiente favorável ao retorno a uma identidade cultural, na qual a Igreja tem um papel histórico e quer ter um papel actual

José Pacheco Pereira, in Público [link indisponível] 29/12/2005

quarta-feira, dezembro 28, 2005

Notícias da China

O ex-ministro chinês dos recursos Naturais Tian Fengshan, 65 anos, foi ontem condenado a prisão perpétua por ter aceite subornos entre 1995 e 2003, avaliados em mais de 4 milhões de yuans (442 mil euros). A acusação reportou-se sobretudo ao período em que Fengshan foi governador da província do Heilongiang, na fronteira com a Rússia. Em paralelo, foi anunciada a libertação de Guo Feixiong, um activista político detido em Setembro passado após se ter juntado a componeses da povoação de Taishi (sul), que pretendiam afastar o seu chefe hierárquico.

Fonte: Público 28/12/2005

Para os mais desatentos

Este ele, é ele e não o outro

Citações LXXXIX

Um euro é muito melhor gasto a mandar para casa um funcionário público cioso de competências obsoletas ou redundantes e pagando-lhe o seu ordenado por inteiro do que colocando mais funcionários a "dirigir" o desenvolvimento. Reestruture-se pois a administração aproveitando o dinheiro para tratar bem os funcionários: uma economia com menos peso burocrático de Estado funcionará muito melhor.

José Manuel Fernandes, in Público [link indisponível] 27/12/2005

terça-feira, dezembro 27, 2005

Feliz Natal, sis!

Colecções incompletas

Sempre gostei de coleccionar coisas. Tudo era um bom motivo para acumular objectos com algumas semelhanças entre si, a cuja totalidade eu pudesse chamar colecção. Desde os típicos cromos do futebol, ou pelo desporto automóvel, tudo me chamava a atenção. Porém, todas estas colecções tinham algo em comum. Todas ficaram incompletas. Não consegui completar uma única. A grande razão disso, era o facto de na génese da colecção estar sempre um qualquer impulso consumista, que não tinha repercussão posterior. Os remorsos de dinheiro escasso mal empreendido atacavam-me logo. A última colecção que iniciei era de bilhetes de jogos de futebol. Incompleta, logo à nascença, portanto.

Porém, sempre me questionei o sobre as razões que levam às colecções. Claro que o mote principal se encontra (pelo menos enquanto criança) na imitação. Vejo o meu amigo, logo quero ser igual. Mas agora encontro outro fascínio. As viagens e os sonhos que estas colecções despertam. Quem nunca desejou ser um jogador da bola, como aquele que colavamos, ou viajar pelos mesmos caminhos dos selos, viver a história das notas...

Iniciei outra colecção. Uma colecção de colecções incompletas. Mais uma com o mesmo destino.

Entidades Reguladoras II

As Entidades Reguladoras têm vários perigos já apontados pelo António Amaral ou pelo João Miranda.

Contudo, as suas “excessiva” independência e não-eleição, não são sinónimo de incompetência tecnico-cientifica dos seus membros; de extremismo ideológico ou de manipulação da comunicação social.

Mantenho a minha dúvida sobre se o rácio beneficios/custos é efectivamente maior com a existência destas ER do que não existindo ER

[post em construção]

segunda-feira, dezembro 26, 2005

Entidades Reguladoras

Francisco Sarsfield Cabral, na sua crónica de hoje, afirma a importância da autolimitação da democracia, em particular da necessidade de independência das Entidades Reguladoras. Apesar de, como ele próprio afirma, esta situação de independência e autonomia ser paradoxal num regime democrático [uma vez que os elementos destas E.R. não são eleitos], o facto destas entidades não estarem sujeitas a pressões eleitoralistas, será uma condição primordial para que as melhores decisões sejam tomadas.

Citações LXXXVIII

Quando um cidadão usufrui de um bem ou serviço fornecido pelo Estado, raramente paga (directamente) mais do que uma pequena fracção do custo desse bem ou serviço. Muitas vezes – talvez mesmo na maioria dos casos – há boas razões para que assim seja. Mas uma das consequências desta situação é dificultar a correcta avaliação dos custos e benefícios da despesa estatal. Todos achamos óptimo ter uma nova auto-estrada; mas se soubéssemos exactamente quanto é que essa auto-estrada custa por pessoa talvez mudássemos de opinião.
(...)
A Lei do Orçamento prevê que o Estado gaste no próximo ano 83161 milhões de Euros. Aplicando a regra simples, obtemos 8316 Euros por português. Tenhamos em conta que o rendimento nacional por português é cerca de 14000 Euros por ano.
Considerando o que recebemos do Estado, 8316 Euros é muito dinheiro.

Luís Cabral, in Diário Económico 23/12/2005 [via O Insurgente]

Citações LXXXVII

Paradoxo do dia

Durante anos venderam-nos a ideia de que o Estado Social potenciava a inclusão e a mobilidade social por oposição ao Estado Liberal que cegamente deixava vencer apenas os mais fortes. Que o Estado Social permitia aos mais desfavorecidos tentar competir em condições de igualdade com os mais favorecidos, enquanto o Estado Liberal se limitava a proteger os bafejados pela sorte da vida. Hoje, não sei quantos anos volvidos, recusam a ideia de ter um Presidente da República alegadamente desfavorecido que não leu os Lusíadas e concentrou os seus esforços em conseguir graduar-se, ser melhor e vencer na vida.

AMN, in a Arte da Fuga 25/11/2005

Vida doméstica [no feminino]

Em férias na aldeia dou comigo a encarnar, [a contra-gosto um tanto ao quanto encenado], a personagem de dona-de-casa. Nos últimos dias tenho passado horas intermináveis na cozinha, nessas alquimias que que só as verdadeiras sacerdotisas do lar é que sabem fazer [eu ainda sou uma aprendiz de aprendiz, mas não me tenho saido mal...].

Para completar este espírito de dona-de-casa, vejo os programas da manhã. E não é que numa magnífica iniciativa de campanha está no programa da fátima o casal mário & maria.

Particularmente simpatico e bem-educado, mário comenta : "A minha mulher não me deixa entrar na cozinha, porque só faço disparates.", uma pérola da sabedoria!

Entretanto, outra pérola:"Eu nunca deixo cair um amigo meu!"

Estou muito ansiosa por ver as entrevistas aos outros casais candidatos a belém. É nestas alturas que eu gosto de ser dona-de-casa!

domingo, dezembro 25, 2005

Acabou

E amanhã já não há natal, os jornais voltam ao normal, as pessoas voltam a olhar para o lado, tudo regressa ao antigamente.

Ao desembrulhar as prendas...

encontro os mais óbvios ... , as tradicionais ... e ter-me-ei tornado assim tão previsível?

sábado, dezembro 24, 2005

Bom Natal!

sexta-feira, dezembro 23, 2005

Máximas e interlúdios [ou mais questões sobre o feminino] III

Quando uma mulher tem tendências eruditas há normalmente qualquer problema com a sua sexualidade. A infertilidade predispõe a uma certa masculinidade de gosto: para o homem é, se me permitem dizê-lo, «o animal infértil»

Friedrich Nietzsche, in Além do bem e do mal

Máximas e interlúdios [ou mais questões sobre o feminino] II

Os sexos enganam-se a si próprios acerca um do outro, sendo a razão fundamental que só amam e honram a si próprios (ou o seu ideal, para utilizar uma expressão mais agradável). Assim, o homem quer que a mulher seja pacífica - mas a mulher é essencialmente não pacífica, como o gato, por melhor que se tenha treinado, a apresentar uma aparência de paz.

Friedrich Nietzsche, in Além do bem e do mal

Máximas e Interlúdios [ou mais questões sobre o feminino]

A tremenda expectactiva em relação ao amor sexual e à vergonha que esta expectativa envolve, distorce logo à partida todas as perspectivas de uma mulher.

Friedrich Nietzsche, in Além do bem e do mal

Citações LXXXVI

[Mário Soares] acabou por desvalorizar a própria função presidencial e reduzi-la a um estatuto quase simbólico (a ponto de se poder perguntar para que quer ser Mário Soares Presidente pela terceira vez, salvo se for para impedir que Cavaco venha a sê-lo).

Vicente Jorge Silva, in Diário de Notícias 23/12/2005

quinta-feira, dezembro 22, 2005

Citações LXXXV

Autopsicoterapia

Disfarçar a tristeza é a coisa mais triste que existe. Saibamos estar tristes, completamente tristes, tristes que dê gosto ver. Assim nos parecerão ainda melhores os momentos bons que hão-de vir.

Manuel Jorge Marmelo, in Tatarana 21/12/2005

Terapia do dia

Uma garrafa de bom tinto, 2 dedos de conversa com amigos

quarta-feira, dezembro 21, 2005

Citações LXXXIV

Declaração de voto

Ele diz que as eleições não são como o amor. Que não é preciso gostarmos da pessoa.

Mas o que temo é que estas eleições sejam como o sexo. E eu não quero acordar arrependido na manhã seguinte.

Pedro Mexia, in Estado Civil 21/12/2005

Terapia do dia

Apanhar sol na esplanada pendurada numa colina da cidade. Olhar o rio. Tentar afastar a melancolia e a angústia do coração pesado

Tranquilidade teológica

Nas últimas semanas, provavelmente influênciada pelo espírito natalício, ando com particulares dúvidas existenciais sobre a necessidade da existência de deus. Tenho perdido horas a pensar sobre a importância da existência de uma entidade protectora, bondosa e que compreenda todas as motivações de todas as acções humanas.

Mas percebo rapidamente que não tenho de me preocupar com isso. Existe um ministro protector, bondoso e que compreende todas as motivações de todas as acções humanas.

[O Plano Tecnológico] é "5% concepção e 95% execução", que é uma "sábia mistura de imitação e inovação" e que "é o contrário de politicas neoliberais" - declarações do ministro [fonte: Público 2005/12/21]

Citações LXXXIII

Político sério e determinado, McCain combateu no Vietname e aí foi preso e torturado durante cinco anos. O que não o impediu, mais tarde, de se empenhar no reatamento das relações de Washington com aquele país. McCain é um conservador, mas envolveu-se em causas como a reforma do financiamento das campanhas eleitorais, de modo a reduzir a influência do poder económico sobre o poder político, e na elaboração de leis menos restritivas da imigração.
(...)
John McCain aspira ser Presidente em 2008.(...)seria bom para os EUA e para o mundo ter na Casa Branca alguém tão decente como McCain. Depois de oito anos desta administração, a decência será a coisa mais necessária em Washington.

Francisco Sarsfield Cabral, in Diário de Notícias 21/12/2005

Post em destaque

Eu voto Cavaco [Tiago Mendes - Aforismos e Afins]

Acabei de ver o debate e nunca pensei que Soares pudesse descer tão baixo. A má-criação, a condescendência, a pose relaxada do rei da barriga, a mentira, a calúnia, a deturpação, a arrogânica, tudo não teve limites. Cavaco deve ter tomado uma caixa inteira de ansiolíticos para se controlar e não se atirar fisicamente a ele. Será que alguém imagina que uma pessoa que se comporta daquela forma merece e pode ser Presidente da República? Como é que os directores do Público e do DN têm o descaramento de achar que Soares ganhou "tacticamente"? Mas não é óbvio que aquilo que ele fez é duma nojice, dum grau zero de respeito, duma filha-da-putice-política sem limites?
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A má-criação do tratamento por "ele". Que depois passa aleatoriamente para "Doutor Cavaco", "Professor Cavaco", como quem "eu trato esse tipo que está aí como bem me apetecer". Soares que, do alto da sua licenciatura com uma média desprezível, fala de si próprio como "professor", por ter dado umas quantas aulas na universidade. Querendo-se por ao mesmo nível que Cavaco, professor catedrático, que dá aulas há anos e anos. Soares que trata Cavaco por "economista razoável", dizendo que não tem problemas em fazer "esse elogio". Cavaco resiste. Os ataques ad hominem não param. Que Cavaco "não tem conversa", que em qualquer situação social não sabe falar senão de economia. E por aí afora. Não tirei apontamentos. Mas não consigo compreender como é que alguém pode ter visto o debate e ponderar sequer a possibilidade de ter Soares como representante máximo da nação.
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A soberba em Soares não tem limites. A baixeza atingiu o inalcansável. Eu acho que Cavaco devia ter respondido mais à letra ao que disse Soares, ou melhor, não respondendo mas apontando o nível de discurso dele. Não percebo os jornalistas da RTP. Se aquele tipo de discurso não merece da parte deles um reparo, atingimos o grau zero da qualidade do debate. O burguês vale o que vale no portugalito dos novos ricos e bem instalados. Bendito Cavaco que subiu a pulso e sabe bem o que é o valor do mérito. É esse mérito que parece faltar em tantos comentadores, que parecem não ter a coragem em enfrentar o establishment que Soares representa, os charutos partilhados, as comezainas deleitosas. Quem não denuncia a calúnia e o grau zero da política também não merece respeito. É isso que vamos poder ver amanhã nos jornais. Porque a verdade é esta: Soares esteve a anos-luz do que João Jardim nos habituou. Soares está perigoso, porque é uma besta acossada com uma vaidade desmedida que não tem correspondência no seu valor pessoal.
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A partir de hoje, declaro que perco qualquer respeito pessoal por quem considere votar Soares depois de ter visto este debate. Perco também qualquer respeito intelectual por quem ache que Soares possa ter ganho o debate. A partir de hoje, passo de secundário a primário. Sou cavaquista primário. Só espero que Soares não apareça à minha frente nos próximos dias, que não sei se me controlo.


[O Tiago Mendes justifica de forma mais clara a sua declaração de voto aqui]

terça-feira, dezembro 20, 2005

Porquê?

Alegre deve ser a minha maior desilusão política dos últimos anos em debates televisivos.

ARtv directo

O Primeiro-Ministro José Socrates acaba de esmagar o deputado Marques Mendes como uma barata.

Women are from Venus, Men from Mars

Há muitos individuos [do sexo masculino, obviamente] que acham que as mulheres são fúteis, inconsistentes, incapazes de processar pensamento abstrato. No entanto, basta que um inocente olhar se prolongue por mais de 3 segundos, para que estes individuos [do sexo masculino, obviamente], percam a consistência, a capacidade de abstração e se transformem nuns básicos.

Há maior consistência e capacidade de abstração numa ideia fútil, do que numa ideia básica!

Copos&afins [1ªs impressões]

Acabada de sair do encontro-confraternização, só posso dizer que encontrei um indivíduo e fiquei com vontade de conhecer melhor as suas ideias.

p.s. a critica "social" ficará para amanhã

p.s.2. o Henrique Raposo [sim, porque já me é permitido tratá-lo com alguma informalidade, apesar de me ter cumprimentado com uma formalidade excessiva]
estava impecavelmente vestido, dentro do género conservador-liberal ou liberal-conservador, ou liberal clássico[ainda não percebi bem a diferença!]

domingo, dezembro 18, 2005

Natal dos hospitais

E eu que pensava que isto ia morrer. Mas é que não foi uma, nem duas, mas já vai na terceira vez... Incrível como se consegue retirar sangue de um cadáver exangue.

Sobre o liberalismo

Le Soir - Hoje, o liberalismo triunfa. Como aconteceu esta hegemonia?
Marcel Gauchet- Evidentemente que não se trata de um trovão num céu sereno: trata-se do desaguar de um movimento que é consubstancial à representatividade legitimada, à construção do governo a partir dos desígnios da sociedade. A partir da estranha crise dos anos 70, que primeiro julgou-se ser económica mas que depois revelou-se como uma mutação civilizacional generalisada, assistimos ao regresso do liberalismo que pensávamos estar enterrado desde a crise de 1929. A economia ganha uma proeminência que nunca antes tinha tido.(...)

L.S.- Essa liberalização não é apenas económica...
M.G.- O grande erro é de facto reduzir o liberalismo a um simples fenómeno de poder da economia. É ao mesmo tempo um fenómeno social ou "societal" marcado por uma individualisação dos costumes e das formas de viver que diz respeito a todas as instituições, começando pela família e terminando na política.

excerto de entrevista do filósofo político francês Marcel Gauchet, ao jornal belga Le Soir, gentilmente traduzido e cedido pelo lipemarujo

sábado, dezembro 17, 2005

Avaliação

A senda de debates que se tem vindo a arrastar pelos três canais de sinal aberto portugueses estão quase a atingir o seu término. Mesmo antes da apoteose final, convém fazer um pequeno balanço do que tem sido falado pelos candidatos, quando confrontados em debates.

  • Cavaco Silva tem mantido o estilo com que iniciou a campanha. Opta por falar pouco (em termos de conteúdo, claro, que os rígidos tempos acordados pelos candidatos não permitem a manutenção do silêncio), fugindo a perguntas e provocações, respondendo de forma exemplar às críticas que são feitas ao seu governo. Pela forma, e pela eficácia com que atinge aqueles que o querem ver em Belém, sem saberem muito bem porque votam nele, dou-lhe um 16. Pelo conteúdo, fica pelo 13. Precisamos de ideias e não de lugares comuns. Média de 14,5.
  • Manuel Alegre mostra em demasia o seu pouco à vontade em debates. Não sabe estar, evidenciando a sua inexperiência neste tipo de entrevistas. Tem o mérito de tentar responder na maioria das vezes de forma frontal às perguntas (o que nem sempre é a melhor solução, como ficou presente na sua resposta à privatização das águas), tendo sido raras as vezes em que fintou o touro, em vez de o tomar pelos cornos. Denota, por vezes, algum desconhecimento do terreno que pisa. Caiu no erro de entrar no jogo de Soares e ter saído derrotado, como seria de esperar. Performance final, e muito devido à apresentação de ideias e frontalidade, 15.
  • Mário Soares sente-se um pouco desconfortável neste formato. Prefere confrontar os jornalistas, os adversários, e se possível, aqueles que não estão presentes. Tem vindo a fazer o seu jogo, atacando o sempre omnipresente Cavaco. Denota-se grande conhecimento dos poderes e limitações de um PR e uma grande vitalidade. Mas, como outros, demonstra um vazio de ideias. Vale-lhe poder responder aos jornalistas e ir escolhendo o caminho à medida que o pisa. Nota final de 13, devido à sua inadaptação a este tipo de debates e deserto de ideias.
  • Jerónimo de Sousa consegue (não sei bem o que as pessoas vêm nele) captar a simpatia dos votantes. Sempre com um sorriso na algibeira para as situações mais difíceis, vai enfrentando os adversários com acusações, das quais eles se vão defendendo. Estudou demasiado bem, a ponto de se colar demasiadamente a ela, a Constituição da República. Joga a seu favor o passado mi(s)tificado de trabalhador, ligado às classes operárias (será daqui que vem a simpatia?). nota final de 14, por jogar com todas as armas por não ter nada a perder.
  • Francisco Louçã é um mestre nestes debates. A sua experiência e propalada eficácia como parlamentar valem-lhe uma melhor execução do que as dos seus adversários. Enumera as suas ideias, uma atrás das outras, apostando em apontar as diferenças para com os seus adversários. Arrisca, como é seu hábito, nos extremismos, por não ter nada a perder e tudo a ganhar. Devido ao seu à vontade, encaixe neste formato de debate, e clareza de ideias, é, de longe, o melhor debatista. Mas não irá ser aquele que mais beneficiado sai. No entanto, um muito merecido 17.

P.S. – A ordem de apresentação dos candidatos baseia-se na ordem dos debates.

sexta-feira, dezembro 16, 2005

Citações LXXXII

As escolas devem ser neutras em matéria religiosa, mas não devem ser culturalmente assépticas e historicamente ignorantes: o estudo da Bíblia e da História das religiões devem figurar nos programas curriculares.
(...)
O respeito pela presença da religião no espaço público implica que as pessoas devem poder exprimir a sua fé como entenderem, o que inclui a liberdade de culto nos feriados religiosos, o direito a manifestações públicas de fé como as procissões e até mesmo, se quiserem, o direito de um político expressar livremente as suas convicções religiosas. Assim é tudo mais equilibrado.

Pedro Lomba, in Diário de Notícias 16/12/2005

Saída do Frágil

Há vários comentários a fazer à festa de hoje no Frágil:

1. Porque é que para 3 músicas boas tivemos de aturar aí umas 10 muito más?
2. Quando os Beastie Boys não galvanizam a audiência, o DJ tem de perceber que tem de mudar;
3. O meu DJ Shuffle faria um melhor trabalho;
4. O alinhamento Kaiser Chiefs, Bloc Party, Franz Ferdinand e Madonna foi muito bom;
5. O pior guarda-roupa da noite : camisa branca com riscas vermelhas, t-shirt com um lettring péssimo, e a rematar uns sapatos côr de caramelo de Badajoz [Sr. Henrique Raposo, o Sr. está a precisar de um banho de lojas!];
6. Fato e gravata não são sinónimo de um bom guarda-roupa, porque insiste Sr. Pedro Lomba?

quinta-feira, dezembro 15, 2005

Um momento de publicidade ou um blogue também serve para isto!

Na edição desta semana da revista visão [versão papel] foi publicado um anúncio à Germanwings, que foi traduzido pelo meu maninho...

Parabéns Bro!

Citações LXXXI

Vendo bem, Mário tem razão. Aníbal quer, efectivamente, roubar-lhe o brinquedo. Mário apropriou-se dele já há muito tempo e Aníbal quer ficar com o brinquedo para mostrar quem sabe realmente brincar bem

Luciano Amaral, in Diário de Notícias 15/12/2005

quarta-feira, dezembro 14, 2005

Citações LXXX

Portugal é só a minha Pátria. Portugal é a Pátria dos que cá nascem e dos que para cá querem vir trabalhar. Só. Portugal é a minha casa, mas não é a minha alma.

Henrique Raposo, in O Acidental 2005/12/14

Citações LXXIX

Como se sabe, Portugal foi pioneiro na abolição da pena de morte (relação com o segundo post). Se não me engano, algures na década de 60 do XIX. O meu país, os meus antepassados estiveram na vanguarda de uma coisa verdadeiramente digna. Aqui (e noutras coisas), tenho orgulho.

Henrique Raposo, in O Acidental 2005/12/14

Cluedos natalícios

Nesta altura do ano é impossível contornar os inevitáveis jantares de Natal. Ora são os do trabalho, ora são os dos amigos que só vemos nesta altura do ano, do pessoal das aulas de dança...

Ontem fui a um. Claro que depois do jantar houve a habitual troca de prendas, sendo que neste caso o método escolhido para a sua distribuição foi o do amigo secreto [um sorteio prévio que determinou a quem cada uma de nós deveria oferecer a prenda].

Após a aberturas de todas as prendas, e de forma a completar o jogo do amigo secreto, tivemos de deduzir logicamente quem era o nosso e defender as razões para essa conclusão. Claro que a mim teria de calhar o caso mais complexo, porque eu sou a Princesa Mononoke e qualquer uma delas poderia ser o meu amigo secreto

terça-feira, dezembro 13, 2005

Uma questão de tolerância

Depois de ler este post do Henrique Raposo, só posso pensar que tolerância é co-existência pacífica baseada num pacto tácito de não-agressão mútua.

Comentadores da bola

A SIC Notícias e a RTP Memória estão a transmitir exactamente o mesmo programa! Curiosamente Fernando Seara decidiu usar bigode no programa da RTP.

segunda-feira, dezembro 12, 2005

Citações LXXVIII

O imigrante que vem viver e trabalhar para a nossa terra não pode ser obrigado a seguir todos os hábitos nem a adoptar todos os valores entre nós prevalecentes. Mas tem o dever de não violar algumas regras essenciais do nosso convívio social. Transigir aí, em nome do politicamente correcto ou de outra moda qualquer, só traz problemas para o futuro. Por muito multiculturais que sejam - e serão cada vez mais - as nossas sociedades.

Francisco Sarsfield Cabral, in Diário de Notícias 12/12/2005

Citações LXXVII

A anglofilia não é um mérito nem um demérito: é uma circunstância histórica. Se eu vivesse noutra época, talvez escrevesse alexandrinos. Talvez usasse chapéu com plumas. Ou talvez (tudo é possível) apreciasse políticos inchados como o senhor Chirac.

Pedro Mexia, in Diário de Notícias 12/12/2005

domingo, dezembro 11, 2005

Re: Quizz [no feminino]

O Tiago prendou-nos este fim-de-semana com um interessante quizz lógico!

Tendo em conta que "João" desenvolveu um "esquema" para oferecer a prenda ao Tiago, e que escolha que está sujeita a uma frase que Tiago diga, só poderei concluir que "João" é uma "Maria"[João]!

Só mesmo uma mulher é que poderia conceber um "esquema" tão vil e mangnificamente ardiloso, baseado na afirmação "Eu amo-te" [a única que para a lógica feminina poderá ser considerada verdadeira ou falsa!]

Assim sendo, e considerando que as prendas A e B implicam [finalmente] uma noite de sexo tórrido e as prendas C e D implicam uma noite de pantufas e manta no colo em frente à televisão, as respostas só podem ser:

1. Para que Maria [João] possa escolher a prenda a oferecer a Tiago, este tem de proferir a desejada afirmação. Assim se Tiago disser «Vou receber A» Maria [João] será levada a pensar que as intenções de Tiago não são as mais claras. Portanto, conclui que a afirmação "Eu amo-te" é falsa, logo só poderá oferecer as prendas C ou D;

2. Para que Maria [João] apenas possa escolher a hipótese D, Tiago tem de dizer “Eu amo-te e não vou receber a prenda D”. Do ponto de vista lógico, Maria [João] continua a duvidar da declaração de Tiago [dado que ele considera serem de 2/3 as hipoteses de receber A ou B ], portanto só poderá escolher a prenda C e D, e como Tiago acredita que não irá receber D, Maria [João] só poderá oferecer a Tiago D, para que a frase seja na sua totalidade falsa;

3. A Maria [João] só poderá escolher a prenda A se Tiago disser “Não vou receber A e não te amo”. Dado que Tiago afirma não amar Maria [João], esta sente-se profundamente abalada, e decide oferecer [estrategicamente] a prenda A, uma vez que era algo que Tiago afirmava que não iria receber [cumprindo-se aqui o castigo] e esta prenda implica uma desejada noite tórrida;

4. A Maria [João] e Tiago chegam a um acordo, e ambos afirmam: “Alaíde, deixa-te de tretas logico-dedutivas e vai mas é beber uns copos com os amigos!”*

*assim que chegar ao Porto será a primeira coisa que farei, beber um copo com os meus amigos, brindando à saúde de Maria [João] e de Tiago!

sábado, dezembro 10, 2005

TGV

Este fim-de-semana, por compromissos natalícios, decidi ir ao Porto. Comprei o bilhete para o Alfa-Pendular na esperança de chegar ao Porto em apenas 3 horas. No entanto estou há mais de 1/2 hora presa em Alverca!! e o comboio não dá sinais de querer arrancar. Dizem que a linha do norte está em obras! Se isto demorar mais um pouco, quase que poderei apanhar o TGV e chegar à minha querida Invicta em 15 minutos....

nota: às 8.00pm, hora a que foi publicado este post, eu já deveria estar em Coimbra
nota 2: são 8.21pm e continuo em Alverca
nota 3: 8.47 pm e ainda em Alverca
nota 4: 9.03pm o comboio arranca, quando já deveria estar algures em Aveiro
nota 5: o revisor acabou de me entregar um invólucro mensagem de forma a solicitar o reembolso da viagem, finalmente uma medida civilizada!!

Micro-causa [também feminina]

Seguindo o conselho do Carlos:

Por se tratar de um assunto de inegável e inquestionável interesse público, pode o Senhor Procurador-geral da República divulgar Quem matou António (ao centro na foto), assim como divulgar quem foram as pessoas constituídas arguidas e respectivas medidas de coacção. Os aderentes a esta micro-causa deverão subscrevê-la na caixa de comentários.

sexta-feira, dezembro 09, 2005

Citações LXXVI

Cavaco foge às perguntas de uma forma muito inábil. É um mau candidato a fazer campanha, porque não domina os mais simples truques eleitoralistas. Posto isto, vencerá na mesma, visto que o voto das pessoas já está dado. Por muito má campanha que faça, as pessoas querem o Cavaco e não querem os outros.

José Barros, in caixa de comentários do Blasfémias 09/12/2005

O debate VIII - no rescaldo

Choque ideológico, na RTP N : Rui Ramos e António Costa Pinto [a não perder!]
O painel da Sic Noticias: Raquel Alexandra, Helena Garrido e Nuno Rogeiro [não há pachorra...]

O debate VII

TVI, a lider de audiências! Próxima 4ª feira: Soares vs Alegre

O debate VI

Cavaco desmonta estratégia de Louçã, sim porque ainda ninguém a tinha percebido

O debate V

"Quem nasceu cá tem a responsabilidade de ser português!" - Louçã

Uma pausa feminina

No a Arte da Fuga a discussão sobre Mulheres, Igreja e Poder continua

O debate IV

Agora o problema da falência do sistema de Segurança Social [segundo Cavaco] é das mulheres, que andam a parir pouco

O debate III

Louçã admite a falência do actual sistema de Segurança Social

O debate II

Este debate está muito emotivo, não são os candidatos combatem um contra o outro, é MST que lança as ostilidades. Maravilhoso!

O debate

As mãos de Cavaco não param de tremer, a voz vai fraquejando, a gravata é de gosto duvidoso [uma gravata de um verdadeiro conservador]...

Citações LXXV

Laicidade é laicidade. Presumo que às vezes custe reconhecer isto, mas um Estado laico e um ensino laico não podem consentir a presença de símbolos religiosos dentro de escolas públicas. A História, a civilização, a cultura explicam alguma coisa, mas não explicam tudo.

Pedro Lomba, in Diário de Notícias 09/11/2005

quinta-feira, dezembro 08, 2005

Citações LXXIV

Génesis

Quando Deus distribuiu as tarefas, as mulheres ficaram com fingir o orgasmo e os homens com fingir o amor.

Pedro Mexia, in Estado Civil 08/12/2005

O que fiz hoje?

O meu corpo trabalhou um texto escrito por outro corpo

Dúvida feminina

É legitimo usar a mentira piedosa por causa de uma cobardia afectiva? De que forma isso condiciona os restantes actos do indivíduo?
É aceitável a duplicidade de critérios?

Citações LXXIII

Com Cavaco Presidente, tudo será tentado para salvar e tornar funcional o que existe (ficando por saber o que fará se a salvação não for possível). Haverá quem ache pouco e quem, por isso mesmo, considere Cavaco perigoso. Mas aqueles à esquerda que imaginam o perigo de Cavaco como tendo origem na vontade de alterar as regras do jogo estão equivocados por completo. Talvez seja irónico, mas é até provável que tenham em Cavaco o seu melhor, mais sério e eficiente representante na Presidência. O Presidente que a esquerda realmente deveria desejar.

Luciano Amaral, in Diário de Notícias 08/12/2005

Citações LXXII

É que, se o Estado não paga a tempo e horas, o contribuinte sente-se moralmente desobrigado de cumprir as suas obrigações tributárias. Aí temos um forte estímulo do próprio Estado à evasão fiscal.

Mas, como se viu durante o debate parlamentar do Orçamento para 2006, nem o Governo nem os partidos da oposição se preocupam com este cancro. Indício de como ele se encontra já enraizado entre nós. O que também explica que muitas empresas estrangeiras evitem trabalhar em Portugal.

Francisco Sarsfield Cabral, in Diário de Notícias 08/12/2005

quarta-feira, dezembro 07, 2005

Citações LXXI

Coisas simples que eu não consigo entender

Trabalhador que chega às nove da manhã, perde 15m no almoço e sai às cinco e meia da tarde é olhado de lado, como se fosse preguiçoso. Trabalhador que chega às dez e meia da manhã, almoça até às três da tarde mas sai às oito da noite é visto como um funcionário dedicado e exemplar.

Rodrigo Moita de Deus, in O Acidental 2005/12/07

Imagens do feminino

Cenas do quotidiano feminino

«Greta tinha um ar completamente masculino, que tornava os seus filmes ainda mais maravilhosos», afirmava [Louise] Brooks. «Era ela que fazia as conquistas, excepto no caso de Mercedes De Acosta, com quem ficou por uma questão de snobismo e a quem deu uma grande tareia... imagine-se, a filha de um talhante a bater numa descendente do Duque de Alba! No entanto, ao sentir-se assediada por Marlene Dietrich e por Banckhead, Garbo não se conteve e bateu-lhes.»

in A vida sexual das divas de Hollywood, de Nigel Cawthorne

terça-feira, dezembro 06, 2005

Citações LXX

O Estado, por seu lado, não é um ente abstracto; e também não somos "todos nós", como por vezes nos querem fazer acreditar: o Estado é um corpo tentacular formado por funcionários; são estes funcionários que, em cada momento, exprimem a vontade que prevalece e domina este ente opaco que tudo quer controlar.

RAF, in Blue Lounge 06/12/2005

Citações LXIX

Os defensores da Escola Pública argumentam frequentemente que em Portugal há «Liberdade de Escolha», porquanto as famílias, quando entendam, podem recorrer ao ensino cooperativo e privado. Neste ponto, o Professor Vital Moreira e o simpático Daniel Oliveira já me convenceram: de facto, os que não se sentem representados por este Ensino Monolítico, na verdade sempre podem furtar-se a tamanha tirania, desde que tenham recursos para isso.

RAF, in Blue Lounge 06/12/2005

Citações LXVIII

2005

Portugal é um país de modas. Primeiro foi a picanha, a seguir o porco preto, depois o sushi e agora, de repente, toda a gente enche a boca com liberalismo.

Eduardo, in What do you represent 05/12/2005

Citações LXVII

Why fool around? I'd prefer to do it straightforwardly, as a voucher. We want competition. We want diversity, variety. But we want it free, not controlled or directed by any third party.

When Americans first developed the concept of public education, it was conceived as a community effort — supported by taxpayers, governed by local citizens, and involving parents and others in nurturing children.

Milton Friedman, in USA Today 19/05/2002

O sr. Silva e o Sr. Alegre

Devo confessar que ontem estava eu muito bem instalada no sofá da sala com um balde de pipocas no colo, prota para ver o primeiro debate. 5 minutos depois deste começar comecei a sentir uma enorme solonência - creio mesmo que adormeci - e só voltei à realidade quando ouvi a maravilhosa expressão "forças de desbloqueio".

Fui revendo o debate que foi retransmitido, quase em simultâneo, pela SIC Notícias e pela RTP N, e o efeito foi o contrário, aquilo deu-me uma grande insónia. Candidatos à PR completamente vazios de ideias, que debitaram um cardápio de lugares-comuns sem sentido...

A escolha será difícil!

Citações LXVI

A Pátria da Esquerda

Vejo que os comentadores da SIC/Notícias apreciam e quase aplaudem a utilização das palavras "Pátria" e "Estado-Nação" pelo candidato socialista Manuel Alegre. Se fosse há uns tempos Paulo Portas, haveria logo certamente quem falasse de populismo e nacionalismo. Pátria e Nação são daquelas palavras que só a esquerda pode utilizar, de preferência seguidas de "capitães de Abril".

PPM, in O Acidental 05/12/2005

segunda-feira, dezembro 05, 2005

Introspecções metafísicas no feminino

Uma deliciosa reflexão de Miss Pearls!

Citações LXV

Em todas as eleições pode dizer-se que está em causa o futuro de Portugal, no sentido em que as escolhas influenciam o percurso do País.
(...)
O melhor que os candidatos podem fazer por Portugal é assumirem-se sem rodeios, no seu presente e no seu passado (felizmente, todos têm passado político). Quanto ao futuro, Portugal não precisa de salvadores. Necessita de homens sensatos, equilibrados, descomplexados, que saibam ser factores de estabilidade, que tenham a ambição de pugnar pelo melhor da sociedade portuguesa.

António José Texieira, in Diário de Notícias 05/12/2005

Citações LXIV

Eu penso que aquilo que é verdadeiramente importante é não deixar que a palavra Liberal seja monopolizada. Isto é fundamental porque o termo acarreta uma certa aura de esperança e mudança politica para Portugal. Se quem defende Liberalismos de esquerda não deseja ver-se rotulado de socialista ou colectivista, este debate parece-me fundamental. Não tanto porque pretende definir, ou apropriar-se da ideia de Liberalismo, mas para impedir que outros o facam.

João Galamba, in Metablog 05/12/2005

domingo, dezembro 04, 2005

Origens femininas

Tenho a felicidade de ter nascido numa cidade fundada por uma mulher. O que torna excepcional este facto, é que a cidade de Guimarães foi fundada ainda no séc. X. A Condessa Mumadona Dias era uma mulher rica e culta, possuidora da maior biblioteca da península, composta por 13 manuscritos [atenção: a epóca em questão situa-se há mais de um milénio!].

Governou o Condado Portucalense com grande sabedoria e ponderação. Consta que não teve de abdicar demasiado da sua feminidade para impôr o seu poder.

leituras femininas III

No entanto, muito tempo depois, ainda se distinguia o murmúrio calmo, reprimido, das vozes de ambos, no interior do quarto grande.
Lá fora, no seu infinito, a lua do Equador, imensa e dourada, iluminava a paisagem de incomparável beleza.
No interior da selva, ouviu-se um grito ululante, inconfundível.
- As feras também amam, Ana Maria...
E do fundo do coração, radiante de felicidade, bendizia a rapariga que finalmente fazia de Marcial Aguirre um homem diferente.

Desejo de uma esposa de May Carrie, Colecção Pimpinela - Agência Portuguesa de Revistas

leituras femininas II

- Nós recebemos uma lição demasiado intensa e dolorosa, Joaquim, a verdadeira lição de vida - disse ela, docemente, oferecendo-lhe os lábios tentadores, submissos e enamorados, que nunca mais fugiriam ao maravilhoso sentimento verdadeiramente sentido.
Naquele ambiente, pareceu notar-se um hálito suave, uma espécie de voo silencioso de cinzas espalhadas pelo vento.

Cinzas de Trini Figueiroa, Colecção Orquídea - Agência Portuguesa de Revistas

leituras femininas

- E tu, Joyce, alegras-te?
Joyce sustentou-lhe o olhar.
- Não. Era um ser humano. Lamento que tenha acabado daquela maneira. Mas penso que podias ter sido tu, e isso não poderia eu suportar, Kurt...
Ele tomo-a nos braços e abrançando-a estreitamente, beijou-lhe apaixonadamente os lábios.
Nos lábios de Joyce ficou um traço de sangue vertido dos lábios feridos de Kurt.

Obsessão fatal de Carlos Santander, Colecção Camélia - Agência Portuguesa de Revistas

Entrevistas Presidenciais

Acabei de ver a entrevista de Jerónimo de Sousa na RTP, e devo dizer que fiquei impressionadíssima com a qualidade e o bom gosto dos acessores de imagem do candidato à PR do PCP.

Este foi sem dúvidas o entrevistado de Judite de Sousa com o melhor guarda-roupa dos últimos tempos.

Apenas uma pequena nota: para que o ar trendy seja completo, aconselho uma visita uma magnífica colecção de óculos deste criador. Se fizerem essa alteração, ponderarei o meu sentido de voto!

sábado, dezembro 03, 2005

Mais um momento de publicidade institucional

Falar em causa própria é sempre ingrato, mas ora bolas (!) quando o trabalho tem mérito, não há volta a dar.... é fazer o devido e merecido destaque
[atenção, a cada palavra corresponde um link diferente. Que aquilo foi um trabalho de Hércules, mas são 15 anos! 15 anos!]

Eu a brincar aos DJ's IV [ou como eu poderia ser uma brilhante artista muito pós-moderna]

quinta-feira, dezembro 01, 2005

Um pouco de humor não faz a ninguém

Para quem não viu a entrevista do Candidato Mário Soares a Judite de Sousa, aqui vão algumas "frase soltas":

1. "Portanto, não vamos falar outra vez disso porque eu tenho muitas coisas para falar";

2. "O que as pessoas querem ouvir é o que é que eu penso da minha própria candidatura";

3. "Isso são as coisas fundamentais que as pessoas querem ouvir";

4. "O resto não me interessa nada";

5. "Sim, mas temos 30 minutos, não se esqueça";

6. "Mas não vamos perder o nosso tempo com isso, que isso não interessa nada aos eleitores";

7. "Sim, mas não vou gastar 20 minutos sobre Manuel Alegre, que eu não quero falar de Manuel Alegre";

8. "Não quero é que insista nestes temas";

9. "Se a senhora quiser fazer a sua entrevista, faz você sozinha";

10. "Você não me obriga a falar do que eu não quero falar, como sabe";

11. "Eu queria falar da minha candidatura, e se me dá licença, eu gostaria de falar, por exemplo, eu queria falar de porque me candidatei";

12. "Isso é uma coisa que interessa aos portugueses, se você quiser fazer sozinha a entrevista, faça-a sozinha";

13. "Eu estou-lhe a dizer isto com toda a simpatia, atenção (...) vá diga lá";

14. "Não, é que eu tenho falado de muitas coisas hoje".


Uma magnífica triagem de pérolas de sabedoria, organizada por Tiago Mendes