Eu sou a favor da livre circulação; só que esta ideia, da qual não prescindo, surge como utópica, quando as sociedades vivem super-protegidas, de uma forma fictícia, da concorrência. Os nossos castelos sagrados têm o efeito do “eucalipto” nos países mais pobres, enfraquecem as suas classes médias, abrem por isso caminho às piores ditaduras e à perseguição política, levam à imigração forçada e desesperada. Não é a fazer concertos e a recolher fundos para ONG’s, tantas vezes manhosas, ou a acender velinhas de protesto em manifestações nas baixas das cidades, que se resolvem estes problemas. [bold meu]
Qualquer um reconhece a qualidade dos lacticínios açorianos. Nos Açores faz-se da melhor manteiga que se produz no mundo.Sem PACs e com menos protecção aos mercados agrícolas a nível mundial, os produtores dos Açores podiam-se tornar num major player a nível mundial, tal como a Nova Zelândia o é. Agora é evidente que com tantos controlos, tantos acordos e tantas quotas que impedem a concorrência é impossível os açorianos baterem a concorrência. No jogo político nós não somos um major player.
Oiço no noticiário da TSF, que Associação de Produtores de Leite avisa que o preço do leite vai aumentar. Os níveis de produção são baixos, os produtores estão envelhecidos e não arriscam investimentos quer para o aumento da produtividade quer para o cumprimentos das apertadas regras da PAC.
Não faz sentido campanhas de estímulo a uma alimentação saudável ou contra a osteoporose, se os organismos Europeus continuarem a limitar a liberdade aos consumidores. Não faz sentido as campanhas de luta contra a pobreza no mundo se se continua a impedir a livre entrada dos produtos (principalmente agrícolas) de países da América Latina e ACP na Europa.
O aumento da procura de determinado bem ou serviço origina 2 movimentos na economia de sentido inverso. Movimentos esses que podem ou não ser coincidentes no tempo.
Como o Miguel Madeira muito bem diz, [as pessoas ao] terem mais dinheiro para gastar apenas originará um aumento dos preços, isso será a reacção imediata dos agentes económicos. Ao verificarem que determinado bem/serviço é mais valorizado pelos consumidores e naturalmente mais procurado, este tornar-se-á mais escasso, subindo naturalmente de preço [causado por estas 2 variáveis]. No entanto, se a economia for realmente livre [i.e. sem entraves à saída e entrada dos agentes], este aumento de procura estimulará novos agentes a entrarem no mercado e a concorrerem directamente com os outros fornecedores desse bem. Esta nova concorrência originará tendencialmente uma descida de preço e/ou melhoria na qualidade do bem/serviço [obviamente se não houver uma cartelização desse mercado. Mas aí o Estado tem de assumir o seu papel de regulador]. O que será sempre benéfico para o consumidor.
Na economia "paralela" o dinheiro pago é totalmente injectado no mercado. No caso da economia "oficial", apesar dos impostos recolhidos serem posteriormente redistribuídos, eles o não são na sua totalidade, pois parte ficará retida para cobrir custos administrativos e logísticos. Isto para não falar na ineficiência e/ou desadequação dessa redistribuição.
Quando escrevi estepost não estava a pensar no seu enquadramento teórico, no entanto Miguel Madeira aponta alguns erros teóricos da minha análise [e Miguel, os teus comentários são sempre bem-vindos, e não são nada picuinhas!]. Devo confessar que quando escrevi o post tinha em mente estepost do LA-C, sobre a economia paralela.
Um dado objectivo é que estas duas pessoas em quem eu paguei pelos serviços prestados [ainda que na dita economia paralela] tiveram um acréscimo de bem-estar, e esse acréscimo tenderá a transitar para outros agentes económicos, apesar de ir decrescendo ao longo do processo até deixar de se verificar. Naturalmente que num excesso de linguagem afirmei que "Sim, com certeza que avançou.", obviamente que este raciocínio não está correcto, aproveito então para corrigir o que pretendia dizer:" que o aumento de bem-estar daquelas pessoas aumentou e tenderá a acontecer o mesmo a outros indivíduos".
[em momento algum fiz a apologia à evasão fiscal, apenas queria demonstrar, que na economia real, aquela em que as pessoas vivem, não raramente é na economia paralela que as pessoas encontram resposta às suas solicitações]
a) Posto isto creio que a 1ª crítica que o Miguel fez, deixa então de fazer sentido. Não me refiro ao avanço do país, mas sim à melhoria do bem-estar de pessoas concretas;
b) Pelas razões acima indicadas, a 2ª falha no meu postinicial fica igualmente sem sentido. Para além que o pleno emprego é uma improbabilidade, tratando-se de um conceito académico um pouco afastado da realidade
c) Miguel, com ou sem PEC o controlo do déficit tanto se faz do lado da receita como pelo lado da despesa. Podendo naturalmente agir-se dos 2 lados, logo que há menos receita poder-se-á reduzir a despesa, e não aumentar outras receitas.
Na semana passada contratei os serviços de de 2 carregadores, muito naturalmente ir-me-iam entregar a factura do serviço prestado. Hoje à hora combinada não apareceram. Atrapalhada pela falha contratual e com um horário a cumprir, lá telefonei ao Sr. Júlio [o handyman aqui do office], que rapidamente me arranjou 2 homens disponíveis para fazer uns trocos.
No final do serviço perguntei quanto devia, os senhores lá me disseram o acharam justo. No entanto, considerei que o trabalho valia mais e paguei o que considerei correcto.
Se pedi a factura? Não, não pedi. Se o país avançou? Sim, com certeza que avançou. Com aquele dinheiro extra, aqueles senhores poderão adquirir bens e serviços que de outra forma não o fariam. Com esse pagamento esses fornecedores poderão comprar outras coisas e por aí em diante. É como aquela cantilena que me lembro vagamente : com o tambor fiz uma viola, troquei a viola por uma bicicleta, da bicicleta fiz não-sei-o-quê... [bem, há-de haver alguém que saiba de que canção estou a falar...]
Um post do LA-C a ler na integra [eu tive dificuldade em escolher um parágrafo a destacar]
«Nunca ninguém me conseguiu explicar que crime era esse, o de ir comprar ovelhas a Espanha para vender barato em Portugal. Na altura, como hoje, o Estado dedicava-se a manter os preços artificialmente altos. Na época, recorria-se a uma burocracia alfandegária de assustar, aliada a fortes impostos aduaneiros. As tácticas não mudaram muito. Hoje recorre-se a uma miríade de impostos, directos e indirectos, que impedem os preços baixos e que asfixiam o pequeno comerciante.» [bold meu]