sexta-feira, junho 30, 2006
Rio e fogo (actualizado)
Rui Rio deu-me uma grande alegria quando derrotou Fernando Gomes. Ainda hoje sei que Rio é melhor que Gomes para a cidade do Porto. No entanto, Rio adora brincar com o fogo, aliás parece-me que procura tornar-se Vulcano em pessoa. Com a imagem de que anda a pôr as contas em ordem, a desfazer os conluios com futebol e a construção civil do tempo de Gomes e Cardoso, o homem vai cortando apoios a tudo o que é iniciativa cultural, organizando um Grande Prémio Histórico de Fórmula1, decidindo onde devem ou não sair as bocas dos túneis... e finalmente, insere nos contratos com as instituições que a Câmara subsidia uma cláusula que as impede de criticar a Câmara. Se isto não é brincar com o fogo, é pelo menos brincar connosco...
Esta medida vai na pior linha do que Gomes fazia, e para além do que se passa a nível camarário, é grave o que se passa a nível de freguesias também, com executivos a imporem a lei do silêncio a pequenas associações culturais. Pensar que um subsídio (que faz parte do enquadramento de serviço público) possa comprar uma fidelidade cega e muda é contrário à ideia de democracia e de liberdade. A juntar a isto fica o registo, muito pouco louvável de algumas abstenções do lado do PS quando esta cláusula foi a voto na Assembleia Municipal.
lipemarujo
Da Cultura Tomo VI
continuando:
2. É função do Estado garantir o acesso dos cidadãos à Cultura. Dada a especificidade e a importância da Cultura na sociedade, na forma como as relações sociais se desenrolam, esta garantia ganha especial relevância. Um vez que através dela os cidadãos serão sempre mais conscientes e livres nas suas opções e ideiais.
2.1. Este compromisso é apenas e exclusivamente para com os cidadãos e não para com os criadores/artistas.
2.1.1. Os cidadãos têm o poder de controlar as opções culturais do Estado. Este controlo para além de passar pelo democrático voto, passa também pela exigência da publicitação cabal do orçamento despendido com a Cultura, bem como a clarificação dos objectivos e motivações das opções feitas. Em situações extraordinárias, quando o nível orçamental assim o implique, as opções poderão ser referendadas.
2.1.2. Cabe aos AC [conjuntamente com o Estado] aconselhar e persuadir os cidadãos. Desta forma os AC têm uma responsabilidade acrescida, não para com o Estado mas para com os cidadãos, no que diz respeito à atribuição de apoios públicos às suas actividades. O Estado responsabiliza-se pelas suas opções, não só perante os AC mas também perante os cidadãos.
[aL]
2. É função do Estado garantir o acesso dos cidadãos à Cultura. Dada a especificidade e a importância da Cultura na sociedade, na forma como as relações sociais se desenrolam, esta garantia ganha especial relevância. Um vez que através dela os cidadãos serão sempre mais conscientes e livres nas suas opções e ideiais.
2.1. Este compromisso é apenas e exclusivamente para com os cidadãos e não para com os criadores/artistas.
2.1.1. Os cidadãos têm o poder de controlar as opções culturais do Estado. Este controlo para além de passar pelo democrático voto, passa também pela exigência da publicitação cabal do orçamento despendido com a Cultura, bem como a clarificação dos objectivos e motivações das opções feitas. Em situações extraordinárias, quando o nível orçamental assim o implique, as opções poderão ser referendadas.
2.1.2. Cabe aos AC [conjuntamente com o Estado] aconselhar e persuadir os cidadãos. Desta forma os AC têm uma responsabilidade acrescida, não para com o Estado mas para com os cidadãos, no que diz respeito à atribuição de apoios públicos às suas actividades. O Estado responsabiliza-se pelas suas opções, não só perante os AC mas também perante os cidadãos.
[aL]
quinta-feira, junho 29, 2006
Ingrid Betancourt
Escrevi isto no dia 7 de Abril deste ano. Hoje faz1587 dias que Ingrid Betancourt (I.B.) está na selva colombiana, refém das ditas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia, que há dias através do seu número 2 disse ao jornal comunista francês "L'Humanité" que I.B. "está bem" após quatro anos de catividade.
lipemarujo
Da Cultura Tomo V
no seguimento:
1.2. Ainda diferente de Cultura e do OA são os Agentes Culturais. Sendo estes os produtores dos objectos artísticos, são naturalmente os mais visados na questão dos apoios à Cultura, uma vez que são de alguma forma o "rosto humano" da oferta de objectos artísticos [ou mais concretamente são estas as pessoas a quem é dado o dinheiro]. Os agentes culturais podem assumir várias formas desde fundações, associações, cooperativas, pessoas individuais, até mesmo o próprio Estado.
1.2.1. Há nos ACIndependestes [assim chamados por não estarem vinculados ao organigrama administrativo do Estado], um sério problema de discurso, pois grande parte do pensamento que produzem - a nível politico, da sua intervenção na esfera politica - reduz-se à discussão de montantes, verbas... o que acaba por descredibilizar a posição dos ACI junto da opinião pública (aka contribuintes)
1.2.2. Os ACPúblicos [assim denominados porque fazem parte do organigrama administrativo do Estado, como por exemplo: O Teatro Nacional S. João; o Instituto Português do Livro e das Bibliotecas; a Cia. Nac. de Bailado, etc], são na maior parte dos casos estruturas muito híbridas, dispõem de um orçamento próprio, e por vezes concorrem também a concursos "públicos" de atribuição de apoios, entrando em concorrência directa com os ACI.
Da mesma forma os ACI e ACP concorrem não só no mesmo mercado de público [espectadores, fruidores do objecto artístico], mas também são concorrentes directos no mercado de financiadores. Esta situação acaba por estrangular os ACI, que se são incapazes de concorrer com outras estruturas que já são "subvencionadas" pelo facto de pertencerem à estrutura da administração do Estado.
[aL]
1.2. Ainda diferente de Cultura e do OA são os Agentes Culturais. Sendo estes os produtores dos objectos artísticos, são naturalmente os mais visados na questão dos apoios à Cultura, uma vez que são de alguma forma o "rosto humano" da oferta de objectos artísticos [ou mais concretamente são estas as pessoas a quem é dado o dinheiro]. Os agentes culturais podem assumir várias formas desde fundações, associações, cooperativas, pessoas individuais, até mesmo o próprio Estado.
1.2.1. Há nos ACIndependestes [assim chamados por não estarem vinculados ao organigrama administrativo do Estado], um sério problema de discurso, pois grande parte do pensamento que produzem - a nível politico, da sua intervenção na esfera politica - reduz-se à discussão de montantes, verbas... o que acaba por descredibilizar a posição dos ACI junto da opinião pública (aka contribuintes)
1.2.2. Os ACPúblicos [assim denominados porque fazem parte do organigrama administrativo do Estado, como por exemplo: O Teatro Nacional S. João; o Instituto Português do Livro e das Bibliotecas; a Cia. Nac. de Bailado, etc], são na maior parte dos casos estruturas muito híbridas, dispõem de um orçamento próprio, e por vezes concorrem também a concursos "públicos" de atribuição de apoios, entrando em concorrência directa com os ACI.
Da mesma forma os ACI e ACP concorrem não só no mesmo mercado de público [espectadores, fruidores do objecto artístico], mas também são concorrentes directos no mercado de financiadores. Esta situação acaba por estrangular os ACI, que se são incapazes de concorrer com outras estruturas que já são "subvencionadas" pelo facto de pertencerem à estrutura da administração do Estado.
[aL]
Da Cultura Tomo IV
na sequência deste post:
1. A Cultura é algo inerente ao indivíduo, e dele indissociável. Poderemos no limite considerar [também] cultura um conjunto de valores, princípios, referências, que servem de plataforma comum aos diversos individuos. Pode funcionar como modelo de identifcação e reconhecimento social.
1.1. Diferente de Cultura, são os objectos artísticos. Esses poderão também ser bens de consumo, uma vez que são bens "económicos" e apropriáveis. O que distingue estes bens dos restantes bens económicos produzem externalidades positivas não só no indivíduo que se "apropriou" do objecto artístico, mas também em toda a comunidade em que esse indivíduo se insere.
[aL]
1. A Cultura é algo inerente ao indivíduo, e dele indissociável. Poderemos no limite considerar [também] cultura um conjunto de valores, princípios, referências, que servem de plataforma comum aos diversos individuos. Pode funcionar como modelo de identifcação e reconhecimento social.
1.1. Diferente de Cultura, são os objectos artísticos. Esses poderão também ser bens de consumo, uma vez que são bens "económicos" e apropriáveis. O que distingue estes bens dos restantes bens económicos produzem externalidades positivas não só no indivíduo que se "apropriou" do objecto artístico, mas também em toda a comunidade em que esse indivíduo se insere.
[aL]
quarta-feira, junho 28, 2006
terça-feira, junho 27, 2006
Um olhar belga do liberalismo
Após o convite que me fez para que me juntasse ao 19mesesedepois (segundo o aa, "uma cambada de cadastrados"), aL disse-me: "não te sintas obrigado a falar do liberalismo". Não é por obrigação que o faço, até porque não sou um grande conhecedor do assunto, fico-me pelo genérico. Mas achei por bem começar por isto porque não deixa de ser um assunto que mexe com estas latitudes da blogosfera.
No entanto, por motivos logísticos, estou privado do documento mais interessante para este olhar belga do liberalismo. Um artigo que saiu no jornal Le Soir há uns dias mas que só se encontra disponível a pagar na net. O artigo faz uma introdução histórica inicial, recorda que na Bélgica existe um partido liberal com 160 anos de existência, cuja fundação se distinguiu por um combate progressista, pelo sufrágio universal, pelos direitos individuais, por todas as liberdades. O liberalismo funda-se na recusa de qualquer tipo de dogmas, na procura do saber e numa exigência moral. O artigo ataca os detractores do liberalismo mas também a noção de "neoliberal", acusa-a de afastamento do verdadeiro espírito liberal, acusa-a de apenas se centrar na "economia" e esquecer os princípios que o devem guiar.
Procurarei obter o artigo mas não prometo nada, deixo aqui a tradução do excerto disponível que infelizmente nem o nome do autor tem.
"O liberalismo morreu. Viva o liberalismo.
Ele agonia-se de injúrias, tornado responsável dos males que oprimem o planeta, cravado de flechas assassinas. Os seus inimigos enterram-no periodicamente. O toque de rendição é permanente. As boas consciências e os abutres duma esquerda altermundialista ou orfã do comunismo salivam permanentemente e preparam-se, bem que inutilmente, desde há 150 anos a um festim que não acaba de ser adiado."
Para quem lê francês um site do Centre Jean Gol que contém muita informação da história do liberalismo na Bélgica e na Europa.
lipemarujo
Apontamento diarístico [no feminino]
Por vezes penso que a insanidade é a única solução. Mas continuo a resistir-lhe
[aL]
[aL]
segunda-feira, junho 26, 2006
Quando o impossível acontece
Tiago Mendes [nos comentários d' O Insurgente] em total concordância com João Miranda.
Um momento histórico! Assim se percebe a força do futebol, capaz de colocar em uníssono vozes tão discrepantes.
[aL]
Um momento histórico! Assim se percebe a força do futebol, capaz de colocar em uníssono vozes tão discrepantes.
[aL]
Porque nem todos andam cegos
Noção scolariana de fair play

Vejo pelas reacções a este post que 80% dos comentadores parece partilhar da noção scolariana de fair play. O fair play é um conceito relativo pelo que a falta de fair play dos nossos é sempre justificada pela falta de fair play dos adversários. O figo deu uma cabeçada no adversário? Isso não é nada comparado com o facto de o adversário não ter devolvido a bola naquele lançamento da bola ao solo. O Figo fez fita para sacar um vermelho ao adversário? Ora, isso é porque o Figo é um jogador muito experiente. O Deco foi expulso por fazer anti-jogo? Isso foi uma decisão incompreensível do árbitro. Tu andas a fazer críticas à valorosa Selecção Nacional? Deves ser amiguinho do Pinto da Costa, espanhol ou traidor à pátria.
João Miranda, in Blasfémias
(Prometeu)

Vejo pelas reacções a este post que 80% dos comentadores parece partilhar da noção scolariana de fair play. O fair play é um conceito relativo pelo que a falta de fair play dos nossos é sempre justificada pela falta de fair play dos adversários. O figo deu uma cabeçada no adversário? Isso não é nada comparado com o facto de o adversário não ter devolvido a bola naquele lançamento da bola ao solo. O Figo fez fita para sacar um vermelho ao adversário? Ora, isso é porque o Figo é um jogador muito experiente. O Deco foi expulso por fazer anti-jogo? Isso foi uma decisão incompreensível do árbitro. Tu andas a fazer críticas à valorosa Selecção Nacional? Deves ser amiguinho do Pinto da Costa, espanhol ou traidor à pátria.
João Miranda, in Blasfémias
(Prometeu)
Novo porto
É com muito gosto que me torno hóspede desta casa. Sou já há algum tempo leitor do blog e cliente da janela de comentários mas poder jantar à mesa com os patrões e até cozinhar de vez em quando vai ser, espero eu, bastante interessante.
Com prometeu a história vem já de alguns anos, e anos de amizade profunda no mundo "lá fora", com aL a amizade é para já "netiana" mas extremamente simpática e cordial.
Como isto de identidades nos blogs tem muito que se lhe diga, sobre mim há isto.
Espero estar à altura da reputação do 19 meses depois.
lipemarujo
Purismos & Casmurrices
Reprodução conversa com um Amigo Identificado no msn:
A.I. diz:
O Gajo é um chato!
aL diz:
Então porquê?
A.I. diz:
Está sempre a atirar pedras ao Outro! Se não gosta do Outro, que O omita.
aL diz:
Estás do lado do Outro agora?
A.I. diz:
Não. Apenas acho absurdas as discussões,
porque o Gajo sabe que não vão dar a lado nenhum
aL diz:
São discussões teóricas
A.I diz:
Isto é o que eu chamo probabilidade atómica.
Ou seja, são as condicionais que envolvem bombas atómicas.
aL diz:
como assim?
A.I. diz:
O Brasil vai ser campeao do mundo. E se a Argentina ganhar?
E se cair uma bomba atómica no meio da final e o jogo não acabar?
E se estiverem dois carros, em frente a um precipício, num dia de chuva ao fim da tarde, e um deles tiver de cair, qual cai primeiro?
aL diz:
O Gajo e o Outro precisam é de ir beber um copo de três marias juntos. Acabava-se logo a discussão!
[aL] & (Prometeu)
A.I. diz:
O Gajo é um chato!
aL diz:
Então porquê?
A.I. diz:
Está sempre a atirar pedras ao Outro! Se não gosta do Outro, que O omita.
aL diz:
Estás do lado do Outro agora?
A.I. diz:
Não. Apenas acho absurdas as discussões,
porque o Gajo sabe que não vão dar a lado nenhum
aL diz:
São discussões teóricas
A.I diz:
Isto é o que eu chamo probabilidade atómica.
Ou seja, são as condicionais que envolvem bombas atómicas.
aL diz:
como assim?
A.I. diz:
O Brasil vai ser campeao do mundo. E se a Argentina ganhar?
E se cair uma bomba atómica no meio da final e o jogo não acabar?
E se estiverem dois carros, em frente a um precipício, num dia de chuva ao fim da tarde, e um deles tiver de cair, qual cai primeiro?
aL diz:
O Gajo e o Outro precisam é de ir beber um copo de três marias juntos. Acabava-se logo a discussão!
[aL] & (Prometeu)
Novidade
Por notória falta de tempo, este blogue está um marasmo. O Prometeu não aparece [mas hoje é 2ª feira, talvez César das Neves lhe dê ideias!], eu continuo afundada em trabalho e com promessas por cumprir.
No entanto as coisas vão mudar com a entrada do meu querido Lipemarujo, um habitué aqui da casa.
[aL]
No entanto as coisas vão mudar com a entrada do meu querido Lipemarujo, um habitué aqui da casa.
[aL]
sábado, junho 24, 2006
sexta-feira, junho 23, 2006
Frase do dia
Don't ever apologize for being rich!
de Oprah Winfrey [em conversa com Anderson Cooper, no Oprah]
[aL]
de Oprah Winfrey [em conversa com Anderson Cooper, no Oprah]
[aL]
quinta-feira, junho 22, 2006
Promessas esperançosas
O Prometeu não dá sinais de vida. Nem o César das Neves lhe parece despertar interesse. O mundial aqui não entra ... isto anda tudo muito frouxo.
Espero neste fim-de-semana conseguir reavivar os neurónios e arrumar os pendentes.
[aL]
Espero neste fim-de-semana conseguir reavivar os neurónios e arrumar os pendentes.
[aL]
Cenas do Quotidiano [no feminino]
A casa onde moro tem uma casa-de-banho branca com apontamentos de azul.
Para minha enorme surpresa, quando lhe pedi para comprar papel higiénico, trouxe papel higiénio cor-de-rosa...
Mas quem é que compra papel higiénico cor-de-rosa para uma casa-de-banho branca com pormenores azuis?
[aL]
Para minha enorme surpresa, quando lhe pedi para comprar papel higiénico, trouxe papel higiénio cor-de-rosa...
Mas quem é que compra papel higiénico cor-de-rosa para uma casa-de-banho branca com pormenores azuis?
[aL]
sexta-feira, junho 16, 2006
Be afraid, be very afraid
Lá fora chove torrencialmente. Um som penetrantemente agudo invade a sala vindo da rua. O administador de olhos esbogalhados e agarrado aos cabelos levanta-se e vai até à janela que está aberta. O som pára. "O que era isso" pergunto, "não sei" respondeu " mas dá vontade de matar alguém!". O som recomeça.
[aL]
[aL]
terça-feira, junho 13, 2006
Leituras
Numa pequena pausa para o café [sim, porque apesar de ser feriado em Lisboa estou a trabalhar!], encontrei este Dia de Portugal, n'A Mão Invisível
[aL]
[aL]
segunda-feira, junho 12, 2006
Momento KitKat
Ao contrário do que possa parecer não fui a banhos.
Aliás, nos últimos dias ando a trabalhar uma média alucinante de horas - e como se não bastasse com produtividade.
Na 6ª lá conseguiram arrastar-me até à feira do livro. Sábado, depois de mais um dia de trabalho, convenceram-me a ver uns gajos de tronco despido e transpirado dançando o hip hop.
Hoje poderei ser encontrada algures pelas ruelas de Alfama, "but at midnight, cinderela has to go home", que amanhã é dia de trabalho. E assim o será até sábado à noite.
[aL]
Aliás, nos últimos dias ando a trabalhar uma média alucinante de horas - e como se não bastasse com produtividade.
Na 6ª lá conseguiram arrastar-me até à feira do livro. Sábado, depois de mais um dia de trabalho, convenceram-me a ver uns gajos de tronco despido e transpirado dançando o hip hop.
Hoje poderei ser encontrada algures pelas ruelas de Alfama, "but at midnight, cinderela has to go home", que amanhã é dia de trabalho. E assim o será até sábado à noite.
[aL]
quinta-feira, junho 08, 2006
Jerónimo de Sousa à la Gato Fedorento [ah e tal, determinados eventos e determinadas pessoas]
O desemprego não é uma inevitabilidade. Ele tem raízes políticas bem determinadas. Ele resulta da acção de politicas concretas de governos concretos, de instituições concretas, de grupos económicos concretos.
In Público de 07.06.06
(Prometeu)
In Público de 07.06.06
(Prometeu)
Agenda
Sem tempo para quase nada [a continuação deste post sairá no princípio da próxima semana], ainda não fui à Feira do Livro, mas mandei vir de lá este livro e logo estarei no debate [que segundo a organização me informou, é às 21h30 e não 18h30].
Quanto ao Alkantara, desconfio que para além do espectáculo de abertura, só conseguirei ver o Romeo Castellucci.
Porque acontece tudo ao mesmo tempo?
[aL]
Quanto ao Alkantara, desconfio que para além do espectáculo de abertura, só conseguirei ver o Romeo Castellucci.
Porque acontece tudo ao mesmo tempo?
[aL]
quarta-feira, junho 07, 2006
O sindicado parasita
Nota inicial: este post terá uma continuação. Neste momento está apenas introduzido, em tom algo provocatório, o tema: «Os sindicatos do têxtil não protegem os trabalhadores do sector».
Tiago Mendes comenta no aAdF que «os sindicatos são, em grande maioria - talvez com a excepção daqueles que protegem pessoas menos qualificadas e mais prováveis de enfrentar situações de MONOPSONIO, como nos têxteis ou outras indústrias similares - um cancro na nossa sociedade, pelo imobilismo e incentivo ao desleixo.» [bold meu]
O problema desta afirmação, que me parece algo ingénua, é que ao contrário do que aparentemente possa parecer os sindicatos do têxtil e vestuário são uma das maiores grangrenas do sector, abusam do seu poder informacional para aprisionar as pessoas menos qualificadas, ao invés de as protegerem.
O modus operandi desdes sindicatos é muito claro, movendo-se como autênticas máquinas de propaganda revestidas por um mato humanista de que o fazem pelo bem dos trabalhadores. Não deixa de ser curioso que num sector onde a mão-de-obra é esmagadoramente feminina, os dirigentes sindicais sejam na maioria homens [mas isso talvez pertença a outra discussão].
Foram estes sindicatos, que nos finais dos anos 80 - inícios de 90, foram incapazes de alertar os trabalhadores para o declínio da indústria têxtil assente na reduzida sofisticação dos processos produtivos. Em vez de clamarem por iniciativas que valorizassem as competências técnicas dos trabalhadores, exigiram medidas restritivas que em nada beneficiaram quem supostamente deveriam estar a defender.
Creio que pior que não ter protecção nenhuma é ter uma falsa protecção. Porque se no primeiro caso sabemos com o que [não] poderemos contar, no segundo há uma situação de logro.
(continua)
[aL]
Tiago Mendes comenta no aAdF que «os sindicatos são, em grande maioria - talvez com a excepção daqueles que protegem pessoas menos qualificadas e mais prováveis de enfrentar situações de MONOPSONIO, como nos têxteis ou outras indústrias similares - um cancro na nossa sociedade, pelo imobilismo e incentivo ao desleixo.» [bold meu]
O problema desta afirmação, que me parece algo ingénua, é que ao contrário do que aparentemente possa parecer os sindicatos do têxtil e vestuário são uma das maiores grangrenas do sector, abusam do seu poder informacional para aprisionar as pessoas menos qualificadas, ao invés de as protegerem.
O modus operandi desdes sindicatos é muito claro, movendo-se como autênticas máquinas de propaganda revestidas por um mato humanista de que o fazem pelo bem dos trabalhadores. Não deixa de ser curioso que num sector onde a mão-de-obra é esmagadoramente feminina, os dirigentes sindicais sejam na maioria homens [mas isso talvez pertença a outra discussão].
Foram estes sindicatos, que nos finais dos anos 80 - inícios de 90, foram incapazes de alertar os trabalhadores para o declínio da indústria têxtil assente na reduzida sofisticação dos processos produtivos. Em vez de clamarem por iniciativas que valorizassem as competências técnicas dos trabalhadores, exigiram medidas restritivas que em nada beneficiaram quem supostamente deveriam estar a defender.
Creio que pior que não ter protecção nenhuma é ter uma falsa protecção. Porque se no primeiro caso sabemos com o que [não] poderemos contar, no segundo há uma situação de logro.
(continua)
[aL]
terça-feira, junho 06, 2006
Dos Sindicatos
Um aumento de salários acima da produtividade tem como consequência uma diminuição da eficiência empresarial, e consequentemente uma diminuição da sustentabilidade dos salários. [...] Como aumenta o custo de mão-de-obra, torna-se mais caro e arriscado empregar. O sindicalismo promove o desemprego.
[...] O sindicalismo empenha-se então na preservação dos privilégios ("direitos adquiridos") de quem trabalha, em prejuízo de quem está disposto a trabalhar melhor ou mais barato. O sindicalismo defende os empregados dos desempregados. Ou seja, promove o desemprego de longa duração.
Em consequência da rigidificação laboral que impõem os sindicatos, as empresas deixam de ter incentivos a premiar os mais produtivos e competir por melhores serviços de mão-de-obra ("para trabalho igual, salário igual" é um slogan clássico).
António Costa Amaral, in Arte da Fuga, 2.6.06
(Prometeu)
[...] O sindicalismo empenha-se então na preservação dos privilégios ("direitos adquiridos") de quem trabalha, em prejuízo de quem está disposto a trabalhar melhor ou mais barato. O sindicalismo defende os empregados dos desempregados. Ou seja, promove o desemprego de longa duração.
Em consequência da rigidificação laboral que impõem os sindicatos, as empresas deixam de ter incentivos a premiar os mais produtivos e competir por melhores serviços de mão-de-obra ("para trabalho igual, salário igual" é um slogan clássico).
António Costa Amaral, in Arte da Fuga, 2.6.06
(Prometeu)
segunda-feira, junho 05, 2006
Prazeres do dia
Para colmatar a baixa produtividade do meu dia, e numa tentativa [bem sucedida] de melhorar o meu estado de espírito, fui passear-me pelo Jardim da Estrela.
Quis sentir o frufru das saias, o rodar das sombrinhas, as mãos ternas entrelaçadas...
Acabei por subir até ao Jardim da Parada e inevitavelmente divaguei por Campo de Ourique
[aL]
Quis sentir o frufru das saias, o rodar das sombrinhas, as mãos ternas entrelaçadas...
Acabei por subir até ao Jardim da Parada e inevitavelmente divaguei por Campo de Ourique
[aL]
Citações CXXIX
É sempre fácil sacar da cartilha "liberal-pura"[...] Mas descer à realidade e compreender certas complexidades e, sobretudo, certas decisões difíceis - equidade vs eficiência - custa muito.
Claro que para quem, [...] acha que o estado não deve ter QUALQUER papel REDISTRIBUTIVO, isso não importa para nada. O que vier, do mercado, Rei e Senhor, virá por bem. E depois, claro, se houver algo para lá disto tudo, talvez se fala "justiça" nessa altura.
Tiago Mendes, in [comentários d'] A Arte da Fuga 2006/06/05
[aL]
Claro que para quem, [...] acha que o estado não deve ter QUALQUER papel REDISTRIBUTIVO, isso não importa para nada. O que vier, do mercado, Rei e Senhor, virá por bem. E depois, claro, se houver algo para lá disto tudo, talvez se fala "justiça" nessa altura.
Tiago Mendes, in [comentários d'] A Arte da Fuga 2006/06/05
[aL]
domingo, junho 04, 2006
Sobre propriedade
The poor, he argued [Jeremy Bentham], have more to gain by maintaining the institution of property than by destrying it, and as evidence he point to the fact that in the US those 'without property sufficient for their maintenance' had, for upward of fifty years, 'had the property of within the compass of their legal power' and had never infriged property.
C.B. Macpherson, in The life and time of liberal democracy
[aL]
C.B. Macpherson, in The life and time of liberal democracy
[aL]
Antes que chegue o Mundial
Durante o próximo mês poderei ser encontrada regularmente neste "F-Word" banned. Obrigada Miss Pearls!
[aL]
[aL]
História de Portugal
Ontem, enquanto convivia com uns amigos, prestei especial atenção a uma conversa que girava em torno dos reinados portugueses. Um português, por sinal, conhecedor profundo da história de Portugal, explicava a uma alemã que quem escolheu as dinastias portuguesas, com ênfase para a Joanina e de Bragança, foi o Povo. Não sabia ser a democracia em Portugal tão antiga.
(Prometeu)
(Prometeu)
quinta-feira, junho 01, 2006
Romantismos Cínicos
É muito claro, mas muita gente não quer ver. Principalmente o governo do Estado e os responsáveis pela segurança pública.Quando escrevi aqui que, ao contrário do que pensa o casal Garotinho, até mesmo a renúncia da população ao consumo de drogas não acabaria com a criminalidade e a desordem no Rio de Janeiro -e poderia até aumentá-la-, fui acusado de "romantismo cínico" (???) e denunciado por estar "resvalando na apologia do crime" pelo secretário de Rosinha, em patética carta publicada no"Painel do Leitor".O que eu disse foi apenas o óbvio, e o que os fatos estão comprovando tragicamente.
Nelson Motta, in Folha de S. Paulo 2004/12/03
[aL]