Discutir o tema do Aborto só é possível a partir do momento em que se aceita que alguém possa votar sim, não, em branco, votar nulo ou não votar. Quando digo aceitar, falo em respeitar. Parece-me a mim que muita da discussão descambou para um tom moralista e isso vê-se sobretudo quando um dos lados se apega ferrenhamente às palavras, como se tivesse medo delas, apega-se ao IVG, ao “aborto”, ao “extremo”, ao “radical”, ao “sim”, ao “não”, à “liberalização”, ao “estabelicimento”, aos “impostos”, ao “Estado” etc, etc. Ora como eu não padeço desse medo, uso as palavras que realmente quero, e como apoio tenho aquilo a que se chama dicionário e, espero também, aquilo a que se chama “bom senso”.
A decisão de abortar é um acto radical que uma mulher só coloca perante uma situação extrema. A lei actual coloca à mulher uma pressão extra que é a questão de ser crime com pena de prisão. A mim isto parece-me injusto e isto é a meu ver a questão central no referendo: justiça. E sendo essa a questão central concebo e respeito as possibilidades de voto. Aceito a posição da Igreja, a dos comunistas, a dos bloquistas, a dos silenciosos, a dos sim, a dos não, a das mulheres, a dos homens, a dos pais, a das mães, a do Guetrres, a da Odete Santos, a da aL, a do Prometeu, a da minha mãe, a do meu pai, a da minha irmã (13 anos), a dos blogues, respeito até a minha...
Parecendo-me injusto que uma mulher seja condenada e presa será então razão suficiente para EU votar sim? Se for esta a questão, então a verdadeira pergunta que devo colocar é: votando sim, a lei que será implementada vai ser melhor do que a actual?
Como não vou poder votar pelo facto de estar em Bruxelas, aqui fica o meu Sim. Mas é um Sim meu, sem gritos nem histerismos, sem autoridade para além da minha para comigo, aqui fica como opinião e convicção, nada mais que isso.
Podem contar é com berraria minha em forma de posts no depois do refrendo, porque seja qual for o resultado o nível vai baixar muito com maus perdedores e vencedores não dignos, é que nisto há quem pense nesses termos (vencedores e derrotados), então cá estarei para lhes apontar o dedo e me posicionar bem longe deles.
lipemarujo